Ora! Uma boa notícia para alegrar: a Honda finalmente se dignou a abandonar aquele formato redondo de saboneteira.
Desta vez, o flagra do novo Vezel, que é o modelo que substituirá o Binzhi ou XR-V no mercado chinês, mostra apenas a traseira, mas só essa traseira já basta para acordar os fãs da Honda do sono.

O design anterior da Honda sempre transmitia uma certa mesquinhez, como se tivesse medo de linhas muito marcantes na carroceria. Mas desta vez é diferente: o carro de teste está todo camuflado, mas o contorno quadrado não se esconde de jeito nenhum.
Tem gente dizendo que a traseira lembra o Range Rover. Não riam, tá? Para a Honda atual, isso é o maior elogio possível.

O formato fastback do Binzhi atual, em nome de uma suposta esportividade, sacrificou o espaço para a cabeça no banco traseiro, e o porta-malas também não é lá essas coisas.
O novo carro virou uma caixa quadrada, com linhas bem angulosas — esse é o caminho certo.
Olhem o mercado automotivo atual: caixas quadradas são a senha do sucesso. Haval Dargo, Jetour Traveller, e até a BYD está apostando em formatos quadrados.

A Honda finalmente entrou nessa onda, deixando de lado aquela linguagem de design aerodinâmico usada por mais de uma década.
A lanterna traseira provavelmente será do tipo passante, com cantos em formato de porta dos dois lados. Esse design podia ser novidade há alguns anos, mas hoje está em todo lugar.

Mas, tratando-se de Honda, já é lucro ela abandonar aquela lâmpada halógena eterna ou a faixa de LED minúscula.

O que mais me interessa é o escapamento embaixo do carro.
Ele está ali, bem à vista, como se estivesse dando um dedo do meio para os defensores radicais dos carros 100% elétricos. A Honda não ter ido de eletrificação total foi uma decisão extremamente sensata.

Vejam o mercado de elétricos puros: como estão vendendo os modelos da série e:N da Honda? Resumindo: um desastre. Ninguém compra. A alma da Honda nunca esteve no motor elétrico, mas sim naquela complexa estrutura mecânica.
O novo carro virá com o mais recente sistema híbrido de dois motores. Atenção! Dois motores.

O híbrido i-MMD da Honda sempre teve boa reputação: econômico e suave.
Mas as versões anteriores tinham um grande defeito: em acelerações bruscas, o motor rugia, fazia barulho mas não saía do lugar — aquele efeito elástico dava até calor de tanta agonia.
Dizem que desta vez adicionaram uma função que simula as trocas de marcha tradicionais. Agora sim.
O motorista precisa de sensação de comunicação, não daquela suavidade morta do câmbio CVT. Pisar no acelerador, ver o giro subir, sentir o tranco da troca de marcha — isso é que é dirigir.

Se conseguirem calibrar essa simulação de trocas com a mesma cadência de um câmbio automático tradicional, esse carro vai dar um banho de prazer ao volante em muitos híbridos plug-in chineses.
A montadora afirma que o novo carro será mais leve.
Aí é que a gente precisa ficar esperto. A tal leveza da Honda às vezes é alcançada de formas bem espertinhas. Por exemplo, reduzindo o material de isolamento acústico, diminuindo a espessura das chapas metálicas.

O isolamento acústico do Binzhi atual já é vergonhosamente ruim — na estrada parece que você está num conversível. Se o novo carro, para emagrecer, arrancar mais dois pedaços da já escassa manta acústica, aí só dá para usar na cidade; pegar estrada vai ser um suplício.
Tomara que esse "mais leve" venha da atualização dos materiais estruturais da carroceria, com mais aço de alta resistência ou alumínio, e não de puro corte de custos.
E tem outra notícia que me gelou a espinha: previsão de lançamento em 2027.
A Honda tem algum problema com noção de tempo? Estamos em 2026, e o carro só vai aparecer um ano depois; quando chegar à produção nacional, já vai ter passado o bonde.

E tem um detalhe que vale mencionar: as fotos de flagra foram feitas no Japão.
Seguindo a tradição da Honda, primeiro lança no Japão, depois Europa e América, e só por último a China. Ou então a versão chinesa chega irreconhecível de tanto que mudam.
Desta vez é melhor que seja同步 global, sem essa de tratamento diferenciado. O consumidor chinês de hoje é bem esperto: modelo global é modelo global, nada de empurrar carro exclusivo para enrolar a gente.



